Tantra é uma filosofia
surgida há mais de 2.500 a.C., na região do vale do Rio Indo, onde
hoje é o noroeste da Índia e o Paquistão, na civilização dos
drávidas, que eram um povo bastante avançado para seu tempo,
conforme comprovaram escavações e pesquisas posteriores. Os
drávidas foram dominados pelos árias, que instituíram o Hinduísmo,
o sistema de castas e a cultura baseada nos Vedas, os livros
sagrados. Muito da cultura dos drávidas acabou sendo assimilado nos
séculos seguintes, e incorporado à nova civilização, como o
Ayurvèda e o Yoga, outras duas vertentes de conhecimento que estão
diretamente interligadas ao Tantra. Em sânscrito, a palavra “Tantra”
significa teia, ou tecido, no sentido de explicar que tudo na vida
está interligado entre si como numa teia, ou trançado como os fios
de um tecido, que formam uma unidade. Desse modo, o Tantra propõe,
entre vários ensinamentos, o caminho da aceitação e da
manifestação do amor incondicional como alavancas para a evolução
do ser. Um dos sentidos da tradução da palavra é: aquilo que
estende o entendimento. Ou o que prolonga a consciência...
Com o passar do tempo, o Tantra
chegou até nós, ocidentais, e conquistou adeptos. Hoje em dia,
quando se fala em Tantra, pensa-se em sexo, posições sexuais e
formas de maximizar o prazer. Mas o Tantra não está diretamente
ligado a sexo, e está muito além disso. O corpo não é visto como
um obstáculo, ou como proibido, como pregam algumas correntes
religiosas e de pensamento ortodoxo. É visto como sagrado, já que é
uma máquina perfeita, na qual moramos e que utilizamos para
vivenciar, experimentar, aprender e evoluir. Seguindo esse
pensamento, o corpo deve ser explorado em todo o seu potencial
sagrado, em todas as suas sensações e em todos as suas facetas
energéticas, sendo que a sensorialidade e o sexo também são
encarados como sagrados, desde que buscados com consciência, sem a
banalização que se vê nos dias de hoje em nossa atualidade, que,
mesmo tendo tantas facilidades continua fazendo com que nós
constatemos que existe uma falta de amor, de toque, de carinho. O
Tantra vem para suprir isso em vários níveis, pois está aberto a
todos os seres humanos, já que respeita a individualidade de cada
pessoa e o seu grau evolutivo e consciencial.
Para o Tantra, tudo é como é, e
tudo está certo como está, pois tudo é divino e tudo tem a
evolução como caminho natural, sendo que o aprendizado humano é um
processo infinito e contínuo. O corpo é entendido como um espaço
sagrado, e como um complexo sistema que reflete em um micro-cosmo
todo o macro-cosmo, dotado de consciência, e existem muitas formas
de se trabalhar a energia vital visando um bem-estar e uma expansão
dos sentidos, primeiramente através da consciência corporal a
partir da pele e do resgate das sensações a partir da mesma.
Podemos trabalhar vários aspectos, como por exemplo a massagem, a
meditação, os exercícios de sinergia entre pessoas, a consciência
dos fluxos energéticos e sua atuação. Ou seja: Tantra é uma
filosofia de vida, voltada principalmente ao auto-conhecimento. Traz
uma melhora significativa na capacidade de se relacionar consigo
mesmo e com as pessoas, pois com uma maior consciência, a pessoa
fica mais segura e mais confiante em suas escolhas.